Dia 9 · Riviera Maya, México: a descoberta da civilização Maya

Tulum, as ruínas arqueológicas e o Museu Mystika

09 fev 2023

Por Romeu Maia

No dia seguinte fui almoçar à Taqueria Maya um pollo de escabeche e uma água de ananás e outra de tamarindo.

Depois fui ter com a Rosa, a senhora com quem tinha falado no dia anterior do aluguer da bicicleta. A conversa foi animada e, após perceber que falava francês, disse-me que tinha sempre dificuldade em falar com os turistas franceses para alugar as bicicletas. Disse-lhe então que ia simular o aluguer da bicicleta como se fosse um francês e lá tivemos os dois um bocado a falar francês.

Eu lá contei à senhora que precisava da bicicleta só nessa tarde para ir às ruínas de Tulum e ao Museu Mystika, que no dia seguinte devia seguir viagem. Resultado: a senhora já não me aceitou o dinheiro e ofereceu a bicicleta grátis para a tarde, sendo que tinha de voltar antes das 20h, que era quando ela fechava a loja.

Assim, lá fui até às ruínas arqueológicas de Tulum, onde estacionei a minha relíquia. A viagem foi rápida, uns 20 min por uma ciclovia, o que ajudou bastante visto que a bicicleta vinha sem o kit de travões e buzina.

Chegado, visitei as ruínas arqueológicas de Tulum, entrada 90 pesos, uma cidade também conhecida como Zamá (o amanhecer). Foi uma cidade mercantil portuária que participava ativamente na distribuição dos produtos locais e de outras zonas do centro das Américas em grandes canoas que moviam com remos. As ruínas ficam no cimo de um desfiladeiro de frente para o mar.

Depois, passava já das 16h, visitei o Museu Mystika, 450 pesos (23€). O valor era um pouco alto e o museu pequeno, mas depois de estar na conversa mais de meia hora com a Lorena da receção (que tinha estado em Portugal no ano passado) e ela me contar toda a história por trás da criação do museu durante o Covid, decidi entrar.

O seu principal impulsionador foi o fotógrafo Soho, que ganhou há poucos anos o prémio de melhor foto do ano no campeonato do mundo com a sua foto intitulada "Believe" (acredita), que mostra uma escada de madeira que está na água e que parece ligar a uma montanha que está a uma grande distância dali.

Mas Soho só há poucos anos se tornou fotógrafo, quando, depois de realizar um retiro no México, decidiu que precisava de mudar de vida para se reencontrar e decidiu então vender os seus negócios e partir 1 ano até à Índia. Quando estava pelos Himalaias, decidiu ir dar um passeio a cavalo, mas no caminho o cavalo assustou-se com algo e atirou-o ao chão, sendo que teve depois disso um longo período de recuperação e tendo ficado com algumas sequelas físicas. Mas, como ele disse, teve sorte, o cavalo podia tê-lo mandado ao chão pelo outro lado, pela ravina abaixo. Foi a partir dali que ele pensou começar a fotografar, que era algo que ele conseguia fazer apesar de algumas limitações físicas que tinha.

O museu retrata um pouco da sua história e como, apesar das adversidades, se pode sempre dar a volta e temos sempre de acreditar e ir atrás daquilo que queremos e nos faz feliz. O museu foi muito inspirador e, para além das belíssimas fotos, em cada uma delas há uma mensagem que nos faz pensar.

Tive lá dentro quase 3h a ler cada mensagem, ver cada foto, vídeos e até repeti a visualização, mas a maioria das pessoas estava lá dentro meia hora, a ver as fotos e a sair sem se aperceber da dimensão mística do museu.

Ao sair do museu já era noite e a minha bicicleta era a única no recinto. Fui a pedalar de regresso ao meu hostel, tinha de devolver a bicicleta antes das 20h e já estava a ficar apertado de tempo. Quando vinha na ciclovia de volta, ao passar por uma rapariga local que também estava de bicicleta, ouvi algo a cair e parei a pensar que já estava a perder peças da minha bicicleta, mas a rapariga também parou e perguntei-lhe o que tinha caído e ela disse que tinha sido o cadeado dela. Lá fui o resto do caminho na conversa com a Clarisse até ela seguir o caminho dela até ao ginásio e eu devolver a bicicleta 5 minutos antes de a senhora que me tinha feito a oferta da bicicleta pela tarde, como agradecimento pela aula de francês, fechar a loja.

Depois de ir ao hostel tomar um duche, fui comer numa roulote de rua, uma promoção de 7 tacos pastor (carne de porco) por 50 pesos (2,5€). A seguir dei um passeio pela rua principal de Tulum, onde passei por alguns bares e restaurantes, câmara municipal e um parque onde os locais jogavam futebol e basquete. Aproveitei e comprei uma paleta de limão (gelado de gelo de limão).

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