Hoje o dia começou cedo: às 5h da manhã levantei-me e fui preparar o pequeno-almoço para três, que estava digno de um hotel.

Depois pusemos pés ao caminho junto à costa, com intenção de ficar no albergue de Caminha. Segui pela Ecovia Litoral Norte, com passadiços, terra batida, uma pequena mata, arbustos, uns moinhos e muita água.

No caminho, já perto de Afife, eu, a Anastasia e o João encontrámos a Anne e a Federia, com quem continuámos a caminhada.

Ao chegar a Vila Praia de Âncora fizemos a pausa da manhã na Confeitaria Petinga Doce, quando entrou na confeitaria a Cláudia, com quem tinha jantado no dia anterior, que passou por ali e nos viu e se juntou a nós.

Ao retomar o caminho encontrei a Mariola, a sueca que tinha conhecido no primeiro dia e a quem tinha dado uma caderneta para pôr os carimbos que confirmam que estamos a fazer o Caminho de Santiago. Ela veio a correr dar-me um abraço e lá contou ao grupo como nos tínhamos conhecido.

A caminhada é mesmo isso, é feita de vários encontros e reencontros que vão acontecendo naturalmente sem planeamentos, cada um segue no seu ritmo e pelo caminho que escolheu.

Depois seguimos caminho até Caminha. O calor já se fazia sentir, valia a brisa do mar para nos manter mais frescos.

Hoje as igrejas andavam fora do meu caminho, mas mesmo a chegar a Caminha encontrei uma pequena capela onde cumpri o único ritual do dia.

Depois, já em Caminha, quando ia em direção ao albergue, parou um senhor que vinha de jipe à beira do nosso grupo. Falava um portunhol que muitos não percebiam e tomei a iniciativa de liderar as negociações. O senhor organizava travessias de barco pelo rio Minho e perguntou se queríamos atravessar já para Espanha e disse que o preço por pessoa era de 6€ mas que fazia por 5€.

Apesar de cansados e de saber que o albergue em Espanha ficava ainda a 5 km de distância, a maioria decidiu atravessar, só a Cláudia ficou em Caminha pois já tinha reservado uma noite num hostel e no dia seguinte ia para Valença para seguir pelo caminho interior.

O homem pediu os 5€ a cada um e disse-nos para andar 500 metros para trás que ia ligar para o barco nos vir buscar. Eu disse logo que só pagava quando visse o barco e assim foi. Só depois de os 7 que decidimos atravessar estarmos no barco é que pagámos e fizemos depois uma rápida travessia para o areal da praia deserta de Lâmina.

Parecíamos um bando de clandestinos a desembarcar.

Da praia seguimos até A Guarda, uma pequena vila à beira-mar onde ficava o primeiro albergue de peregrinos. Já eram 17h quando lá chegámos, devido ao caminho extra que fizemos e à hora extra em Espanha.

Depois de instalado e do duche, fui dar uma pequena volta pela cidade.

O jantar foi no Restaurante Xantar, com o primeiro prato a ser tortilha de legumes, o segundo costeleta e, de sobremesa, um crepe de creme. Depois terminei a noite no Art Bar com uma cerveja e uma tapa antes de recolher ao albergue para o merecido descanso.

Amanhã o dia vai ser mais calmo, uma etapa mais curta para recuperar dos 32 km de hoje.

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