Despedida de Nova Deli e da Índia
31 jan 2026
Por Romeu MaiaAssim terminam 3 semanas de aventura pela Índia em que deu para aprender sobre a cultura e alguns hábitos que os indianos foram adquirindo com a governação britânica, como por exemplo conduzir pela esquerda e o tomar chai.
Aliás, o chá foi popularizado pela princesa portuguesa Catarina de Bragança, que, ao casar com Carlos II de Inglaterra por volta de 1660, criou o famoso hábito do chá.
Foi depois introduzido comercialmente pelos britânicos no século XIX na Índia, que cultivaram a "Camellia sinensis assamica" nativa e sementes chinesas, transformando o chá preto numa bebida popular, especialmente o Masala Chai, adicionando leite e açúcar ao chá preto forte e que também é rico em especiarias como cardamomo, canela e gengibre. Isso embora já fosse utilizado há muito na Índia com outros fins.
Outra parte importante da vida é a religião, que eles praticam bastante, em qualquer canto se veem pequenos altares com os deuses preferidos deles, como o Shiva e o Ganesha, e eles vão para lá fazer oferendas de comidas, flores e cantar.
Também tive oportunidade de falar com alguns indianos e fiquei surpreso que muitos jovens começam desde os 6 anos a estudar em escolas inglesas e, embora o hindi seja falado por cerca de 40% da população, nem todos sabem ler e escrever em hindi, tirando palavras básicas. O que me faz lembrar o filme que vi em Mumbai que falava sobre isso, a falta de alunos nas escolas hindi, visto preferirem as escolas inglesas, que lhes abrem mais perspetivas de trabalho no futuro.
A Índia é extremamente diversa, com 22 línguas oficiais reconhecidas na Constituição. No entanto, o país não possui uma única língua nacional, sendo o hindi e o inglês os idiomas oficiais.
Também tive oportunidade de conhecer algumas cidades, lugares e monumentos emblemáticos. Apesar de toda a pobreza e poluição, o povo indiano é no geral tranquilo, sem grandes modos, é verdade, mas senti-me sempre seguro por aqui. Mas cuidado, que quando vêm com muita simpatia é porque têm várias cartas na manga para nos tentar sacar umas notas do bolso. Estão a fazer pela vida.
Temos de negociar o preço de quase tudo, ainda ontem, ao chegar ao hotel e fazer o check-in, quando chegou o momento de pagar, o jovem que estava ao balcão sacou da calculadora e mostrou-me o preço da noite, que estava certo. Mas lembrou-se de me dizer que tinha de pagar mais 12% de taxas, eu disse-lhe que as taxas já estavam todas incluídas e que, como ia pagar em dinheiro, não havia taxa nenhuma a pagar. Ele simplesmente respondeu "Ok Sir". E assim se resolveu o assunto, eles tentam sempre, há sempre quem não reclame e pague e ganham uns extras.
Quanto ao trânsito na Índia, é caótico, a buzina está sempre a funcionar, mas é mais um hábito e um alerta de que estou aqui e arruma-te para o lado que quero passar, do que para reclamar por alguém ter feito algo errado.
Os semáforos só são respeitados nalguns casos, ninguém respeita as linhas simples ou duplas das vias, nas passadeiras ninguém para e vê-se muita gente a circular em contramão. Nas estradas mais apertadas e sem passeios é um salva-se quem puder, com carros, scooters e pessoas todos misturados no meio da via.
Quanto aos meios de transporte na Índia, já experimentei vários, que vão desde as bicicletas, helicópteros (bicicleta com atrelado), tuk tuk, táxi, condutores privados, carroças e todo o tipo de carrinha de transporte, das maiores às mais pequenas.
Aqui veem-se muitas carrinhas e camiões com depósitos de água a circular pela cidade para ir encher cisternas um pouco por toda a cidade, onde as pessoas vão beber ou encher recipientes. Também há pessoas a circular com blocos de gelo do tamanho de um tijolo em sacas plásticas. Esta é outra das coisas que tenho evitado, bebidas com gelo, e bebo sempre água engarrafada.
No caso de tuk tuk, táxi, drivers, devemos sempre negociar o preço antes de sair, senão o mais certo é pagar muito mais pela viagem, mas normalmente as viagens pela cidade são menos de 1€.
O metro é relativamente moderno nas cidades por onde andei e barato, entre 20 e 70 cêntimos de euro o bilhete. Os autocarros são fáceis de usar e têm-me custado entre 10 e 20 cêntimos de euro por viagem, pagos ao cobrador dentro do autocarro. Facilmente, com o Google Maps, temos indicação do número do autocarro que devemos apanhar para o nosso destino.
Nos comboios convém apanhar os Expressos, que são mais caros, mas mais certinhos, vai com lugar marcado e cumprem horários, que é o que fiz para ir para Agra ver o Taj Mahal numa viagem de 200km e agora de volta para Nova Deli. Os comboios mais antigos não têm hora de partida nem de chegada apesar de estarem marcadas e é usual um comboio da manhã sair só à tarde.
Outra opção é viajar de noite de bus, eles estão preparados com beliches e vai a dormir enquanto faz uma longa viagem e poupa no hotel. No meu caso, apesar de ter 3 semanas, preferi optar pelo avião e não estou arrependido.
Quanto às viagens internas de avião na Air India, para além de baratas e rápidas, até agora têm corrido bem, além dos 7 kg da bagagem de mão temos 15 kg de porão e ainda dão um snack e água a bordo.
No geral e do que vi, a Índia é um país muito diferente de todos onde já estive, que nos faz refletir em como felizardos somos e em como muitas vezes se reclama de barriga cheia e não sabemos a sorte que temos por viver em Portugal, apesar de todos os problemas que também temos. Temos de ser mais gratos pelo que temos e menos gananciosos e aprender a viver a vida de forma mais simples e humana para com o próximo.
Agora é hora de iniciar viagem de volta, primeiro de avião com escala em Jeddah, antes de chegar a Madrid e depois regressar ao Porto.